Se você tem um PC antigo parado e quer transformá-lo em um servidor de homelab com Proxmox, este tutorial vai te mostrar um caminho prático, seguro e replicável.
Neste guia, vou mostrar exatamente como foi feita a instalação inicial do Proxmox em um servidor doméstico com dois SSDs, incluindo a preparação correta de um segundo disco para armazenar máquinas virtuais.
O foco aqui é ajudar iniciantes a fazer isso do jeito certo, sem pular fundamentos importantes.
Cenário usado neste tutorial
O ambiente deste passo a passo foi montado com o seguinte hardware:
- Intel Core i5-3470
- 16 GB de RAM
- 1 SSD de 250 GB
- 1 SSD de 500 GB
- placa-mãe H61
- rede local na faixa
192.168.1.0/24
A ideia foi usar:
- SSD de 250 GB para o sistema do Proxmox
- SSD de 500 GB para armazenar as VMs
Essa separação faz muito sentido em homelabs pequenos, porque evita apertar o disco principal com os dados das máquinas virtuais.
Objetivo desta etapa
Ao final deste tutorial, você terá:
- Proxmox instalado e acessível pela rede
- rede funcional via bridge
vmbr0 - SSD secundário corretamente montado no host
- storage extra configurado no Proxmox para hospedar VMs
- primeira VM Ubuntu Server criada e funcional
1. Conferindo a BIOS antes da instalação
Antes de instalar qualquer hypervisor, a primeira etapa é validar se o hardware está pronto.
Na BIOS, confira os seguintes pontos:
- a memória RAM total reconhecida
- os discos conectados
- a placa de rede ativa
- a virtualização do processador habilitada
- o boot por USB configurado
No caso deste ambiente, os itens confirmados foram:
- 16 GB de RAM reconhecidos
- 2 SSDs detectados
- virtualização Intel habilitada
- boot por USB configurado corretamente
Dica importante
Se sua placa-mãe for antiga, também vale conferir:
- Secure Boot desativado, se existir
- modo Legacy/CSM, se necessário
- portas SATA ativas
2. Criando o pendrive bootável do Proxmox com Rufus
Com a BIOS pronta, o próximo passo é criar o pendrive de instalação.
Configuração recomendada no Rufus
Para hardware mais antigo, uma configuração compatível costuma ser:
- Dispositivo: seu pendrive USB
- Seleção de boot: ISO do Proxmox VE
- Esquema de partição: MBR
- Sistema de destino: BIOS ou UEFI
- Sistema de arquivos: padrão sugerido pelo Rufus
- Tamanho do cluster: padrão
Se o Rufus perguntar o modo de gravação, você pode começar pelo modo recomendado. Se houver problema no boot, o modo DD costuma resolver.
3. Instalando o Proxmox no SSD principal
Com o pendrive pronto, basta iniciar o servidor por ele e seguir a instalação do Proxmox.
Decisão de layout dos discos
Neste projeto, a escolha foi:
- instalar o Proxmox no SSD de 250 GB
- reservar o SSD de 500 GB para as VMs
Essa abordagem deixa o host mais organizado.
Durante a instalação
Na configuração inicial do Proxmox, defina:
- senha do
root - e-mail administrativo
- hostname
- IP do host
- gateway
- DNS
Depois da instalação, o sistema reinicia já pronto para acesso remoto via navegador.
4. Confirmando o IP real do Proxmox
Depois da instalação, é muito importante validar qual IP o host realmente recebeu.
No shell do Proxmox, use:
hostname -I
ou:
ip addr
No ambiente deste tutorial, o IP correto do host foi:
192.168.1.62
A interface principal usada pelo Proxmox foi:
vmbr0
Com isso, o painel web ficou acessível em:
https://192.168.1.62:8006
Observação importante
Se aparecer alerta de certificado no navegador, isso é normal.
O Proxmox usa certificado próprio na instalação inicial.
5. Entendendo os discos detectados no host
Depois de acessar o Proxmox, foi feita uma inspeção dos discos via shell com:
lsblk -o NAME,SIZE,FSTYPE,MOUNTPOINT
O resultado mostrou:
sdacom aproximadamente 223.6 GB, contendo o sistema do Proxmoxsdbcom aproximadamente 447.1 GB, vazio
Isso é esperado porque discos “500 GB” normalmente aparecem com cerca de 447 GiB úteis no Linux.
6. Erro comum: criar storage antes de montar o disco corretamente
Aqui aconteceu um erro muito comum entre iniciantes.
Foi criado um storage no Proxmox apontando para um diretório como se ele já estivesse no SSD secundário, mas o diretório ainda não estava montado no disco.
Resultado: o Proxmox mostrou um storage pequeno, com algo em torno de 68 GB, porque o diretório estava sendo criado dentro do filesystem do sistema, e não dentro do SSD de 500 GB.
Como identificar esse problema
Ao rodar:
df -h
o ponto /mnt/pve/ssd-vm nem aparecia como filesystem separado.
Isso mostrava que o diretório existia, mas não estava montado em nenhum disco próprio.
Lição importante
No Proxmox, antes de criar um storage do tipo Directory em um disco secundário, você precisa:
- particionar o disco
- formatar
- montar no Linux
- persistir no
fstab - só depois criar o storage pelo painel
7. Preparando corretamente o SSD de 500 GB
Depois de remover o storage criado de forma incorreta, o SSD de 500 GB foi preparado do jeito certo.
7.1 Criando a partição
O disco foi particionado com fdisk:
fdisk /dev/sdb
Dentro do fdisk, foi usada a sequência:
g
n
Enter
Enter
Enter
w
Isso criou:
- tabela GPT
- uma única partição usando todo o disco
Depois disso, o lsblk passou a mostrar:
sdbsdb1
7.2 Formatando em ext4
A nova partição foi formatada com:
mkfs.ext4 /dev/sdb1
Depois disso, lsblk passou a mostrar o tipo:
ext4
na partição sdb1.
7.3 Criando o ponto de montagem
Foi criado o diretório de montagem:
mkdir -p /mnt/ssd-vm
Esse diretório seria o ponto fixo onde o SSD ficaria montado.
7.4 Montando o SSD manualmente
A montagem inicial foi feita com:
mount /dev/sdb1 /mnt/ssd-vm
Em seguida, o comando:
df -h
passou a mostrar:
/dev/sdb1- tamanho perto de 440 GB
- montado em
/mnt/ssd-vm
Agora sim o disco estava onde deveria.
7.5 Tornando a montagem permanente
Para garantir que o SSD continuasse montado após reboot, foi obtido o UUID da partição:
blkid /dev/sdb1
Depois, foi editado o arquivo:
/etc/fstab
com a linha:
UUID=b0843b33-9740-4dcf-898b-15e66e16327f /mnt/ssd-vm ext4 defaults 0 2
Após salvar, o teste foi feito com:
mount -a
Sem erro, a configuração foi validada.
8. Criando o storage correto no Proxmox
Com o SSD realmente montado no sistema, aí sim o storage pôde ser criado.
No painel do Proxmox, foi usado:
- Datacenter → Storage → Add → Directory
Com os seguintes dados:
- ID:
ssd-vm - Directory:
/mnt/ssd-vm
Nos conteúdos permitidos, foram marcados:
- Disk image
- ISO image
- Container template
- Backup file
- Snippets
Resultado esperado
Depois disso, o Proxmox passou a mostrar um storage com tamanho compatível com o SSD, algo perto de:
- 440 GB úteis
Agora sim o segundo SSD estava corretamente disponível para hospedar VMs.
9. Subindo a ISO do Ubuntu Server
Em vez de Debian, neste projeto foi escolhida a ISO do Ubuntu Server 26.
A ISO foi enviada para o storage ssd-vm pelo painel do Proxmox, na área de conteúdo do storage.
Isso permitiu criar as VMs diretamente usando esse repositório.
10. Criando a primeira VM: vm-apps
A primeira VM criada foi pensada para hospedar:
- Docker
- Nginx
- n8n
- aplicações web
- serviços públicos
Configuração usada
A VM foi criada com:
- Nome:
vm-apps - Sistema: Ubuntu Server 26
- Disco: 180 GB
- Storage do disco:
ssd-vm - CPU: 2 vCPUs
- RAM: 9 GB
- Rede: bridge
vmbr0 - Modelo de rede: VirtIO
Essa é uma configuração bem equilibrada para um homelab com 16 GB de RAM.
11. Instalando o Ubuntu Server na VM
Durante a instalação do Ubuntu Server na VM, a principal atenção ficou na rede.
Como o host Proxmox já estava confirmado na rede:
192.168.1.62/24
foi usado um IP fixo coerente para a VM:
- IP da VM:
192.168.1.20/24 - Gateway:
192.168.1.1 - DNS:
1.1.1.1e8.8.8.8
O hostname definido foi:
vm-apps
O instalador também foi configurado para instalar o OpenSSH Server, o que é altamente recomendado para administração posterior.
12. Validando a conectividade da VM
Depois da instalação, a rede da VM foi testada com:
hostname -I
e depois com os testes de conectividade:
ping -c 4 192.168.1.1
ping -c 4 1.1.1.1
ping -c 4 google.com
Esses testes validam:
- acesso ao roteador
- saída para internet
- resolução DNS
Todos os testes passaram com sucesso.
13. Atualizando o Ubuntu da VM
Com a rede funcional, a VM foi atualizada com:
sudo apt update
sudo apt full-upgrade -y
Depois, foram instalados pacotes básicos de administração:
sudo apt install -y curl wget git vim ufw net-tools ca-certificates gnupg lsb-release
Esses pacotes ajudam bastante na preparação para Docker, firewall e manutenção do sistema.
Estrutura final obtida até aqui
Depois de todos esses passos, o ambiente ficou assim:
Host Proxmox
- IP:
192.168.1.62 - bridge principal:
vmbr0 - disco do sistema: SSD de 250 GB
Storage extra
- ponto de montagem:
/mnt/ssd-vm - origem: SSD de 500 GB
- storage no Proxmox:
ssd-vm
VM criada
- nome:
vm-apps - IP:
192.168.1.20 - Ubuntu Server 26
- 2 vCPUs
- 9 GB RAM
- 180 GB de disco no
ssd-vm
Principais aprendizados dessa etapa
1. Não crie storage em diretório não montado
Esse é um erro clássico.
Se você criar um storage Directory antes de montar o disco secundário, o Proxmox vai usar o sistema principal por trás daquele diretório.
2. Sempre valide com df -h
Esse comando mostra claramente se o ponto de montagem está em um filesystem próprio.
3. Use lsblk para entender o layout real
Esse é um dos comandos mais úteis para ver discos, partições e mounts.
4. Use IP fixo nas VMs de servidor
Para serviços como Docker, reverse proxy, DNS interno e port forwarding, IP fixo é praticamente obrigatório.
5. Separe o disco do host do disco das VMs
Mesmo em homelab pequeno, isso melhora muito a organização.
Este artigo foi escrito por IA, com execução e testes conduzidos pelo autor.
